quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

“….I…I Will Begin Again…On New Year´s Day…”

Se você chegou a este 29 de dezembro, parabéns! O natal passou. As compras passaram. O stress do amor universal baixou e agora é só aguardar A “virada”. Dia 31 vem aí! Simpatias, bebedeiras, abraços em desconhecidos, promessas, fogos na Paulista, fogos em Copacabana e claro: Luan Santana, te dando o sol, o mar e meteóro da paixão...Mas não é só... 
O sujeito passa 365 dias reclamando da vida, mas naqueles dez segundos que antecedem o grande momento, nada é mais definitivo que a certeza de algumas coisas: Ao final de 2011, seremos ricos, bonitos, resolvidos, amados, felizes, saudáveis, e pra não perder o costume, otimistas inveterados.

É verdade, somos movidos a rituais. São eles que nos conferem identidade cultural, que simbolizam graus de maturidade, que perpetuam a história...mas acredito também que, como qualquer convenção que se preze, representam uma sistematização de sentimentos...E disso não gosto.

Não quero ver tudo com cinismo e formalidade, nem acabar com a festa. Muito pelo contrário. Quero mais. Quero amores que durem mais que um abraço superficial. Quero presentes maiores que seu valor monetário. Quero sentir perto, mesmo estando longe. Quero crescer sem fita métrica ou calendário...Acredito no "comemorar", gosto de ritos, só não me convenço quando tudo se resume a obrigação robótica e anual da felicidade com a exata duração de uma noite. É com as outras 364 que me preocupo. E é em nome delas que me coloco à disposição de 2011. Ready? 10, 9, 8, 7....
 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

“A Gente Brinca...Na Nossa Velha Infância...”

De todos os brinquedos dos parques de infância, sempre tive paixão pela gangorra. Eu podia “literalmente” passar o dia subindo e descendo só pra  ver  o mundo ficar diferente a cada vez. E era divertido. Divertido porque envolvia dois. Porque exigia uma cumplicidade que não precisava de expressão...porque não buscava nada além de um meio e um fim. E eu? Bom, eu me contentava com aquilo...

Ao crescer, instintivamente passei a fugir das “gangorras”. Elas, graças as “chicotadas” do amadurecimento, passaram a significar instabilidade, descontrole e parte integrante do álbum de figurinhas “dominante e dominado”. Esqueci, por muito tempo, que existe também aquela hora da brincadeira em que as duas partes, de repente, param no meio e buscam o equilíbrio. Naqueles breves minutos, eu me sentia segura. E sim, eu era feliz com aquilo.  

Nos últimos tempos, meus pensamentos têm “brincado” muito mais de “gira-gira” que qualquer outra coisa. Rodam porque não querem achar a saída. Circulam, cada vez mais emaranhados, porque sabem que em certos momentos, o cansaço da busca faz com que até a dúvida seja mais confortante que o vazio.

O jogo é perigoso, eu sei...até porque desde criança nunca entrei em partida alguma com a intenção de perder. Jamais dei menos que 1000% em nenhuma delas e divido com vocês todo o orgulho e o medo que esse tipo de estratégia gera. A verdade é que tenho construído a vida ( ou sería o contrário?), de modo que, com alguma ajuda aqui, outra ali, minha “gangorra” se movimentasse como um instrumento "resolvido" e auto-suficiente. Vai ver que é isso que o "povo" chama de dignidade....

 Na boa, eu gostava mais do tempo em que eram necessários, pelo menos, dois.

domingo, 28 de novembro de 2010

“O Rio de Janeiro Continua Lindo…”

Um dia acordei e decidi que era hora de voltar. Nem tão simples, nem tão rápido, claro. Mas a hora havia chegado. Larguei a tal estabilidade profissional, fechei apartamento, deixei os móveis como estavam e voltei pra São Paulo como quem volta pra segurança de casa. Mais uma vez, desci do salto ao perceber que rupturas não fazem apenas parte das relações humanas. São parte de qualquer relação de amor. E eu amo esse tal de Rio de Janeiro...  

Sim, eu impliquei com o comportamento padrão do carioca (e com o calor e com a precariedade de serviços e com um monte de coisas...). Sim, eu saí mais cedo do trabalho, em função de tiroteios anunciados. Sim, eu vi amigos assistirem aulas, com mira-laser no rosto. Vi uma “menina” entrar de vez na vida adulta. Vi muita coisa, mas nada se compara ao que assisto agora. 

Diante do espetáculo, além da impaciência pelo óbvio, penso no Rio que não se exibe para a mídia (novela conta?). Penso naquele que me conquistou porque tudo é pertinho, embora todos digam o contrário...naquele que tem loja de suco e não padaria...na cidade em que engarrafamento chega a ser agradável, só de olhar pela janela. Onde, como diz a linda amiga-irmã Fernanda Neder Martinez, existe horizonte... 

Não tapo o sol com a peneira, sou amante que conhece e reconhece a imperfeição, mas nem por isso diminuo a esperança de que tudo se encaminhe pra bem. Apesar dos pesares, consigo olhar pra tudo reafirmando meu pacto de amor. E, de longe, recorro ao Tom pra confortar minha impotência...”Minha alma canta...vejo o Rio de Janeiro...Estou morrendo de saudade...Rio, teu mar, praias sem fim...Rio, você que foi feito pra mim...”

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"If You Believe They Put the Man on the Moon..."

Você já deve ter ouvido falar sobre as diversas teorias que comprovam que o homem jamais pisou na lua. Existem outras sobre e existência de um suposto substituto do Paul McCartney que teria morrido num acidente em 1966. Há quem diga, até, que a princesa Diana foi assassinada....

Independente de crenças, não deixa de ser interessante pensar nesta necessidade que muitos tem de desafiar o (auto) senso estabelecido. “Arquivo X” fez o favor de ensinar minha geração a desconfiar de tudo, mas digo do alto de minha maturidade “loading”, que encontrar a tecla seletora que faz um ser humano acreditar ou não, é das coisas mais complexas que existem...Falo de um nicho específico de “audiência”, é claro. Há quem, simplesmente, não intua ter escolha. Há quem não tenha vontade. Há quem desista no meio do caminho. E há quem objetive ser irredutível, independente de tudo. 

Não sei se você é partidário de alguma destas vertentes. De todas, a que mais me amedronta é aquela trilhada pelas pessoas que deixaram de acreditar em si mesmas. Tenho medo porque alguém assim, escolheu o vazio como sentença. Porque alguém assim, dificulta qualquer tentativa de aproximação. E finalmente, porque gente assim, contamina qualquer um, que se importe, com a frustração da impotência. Gostaria de poder ajudar. Mas, só conheço uma forma: Dizer que, apesar de tudo, eu ainda acredito....Que meu lado "astronauta" resiste bravamente ao cinismo e que, ao contrário do que pensa o agente Mulder, a verdade que importa, está aqui dentro.


David Bowie - 'Space Oddity' original video [1969] from Naga Shadow on Vimeo.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

"Yeah!"

Oi, meu nome é Domênica, e confesso sem medo: Meu primeiro video game foi um Dynavision. Pois é...ter um desses, na época em que todo mundo tinha Atari, era um tanto “out”, mas como acontece até os dias de hoje, a noção de homogenêidade nunca foi bem uma meta. Dito isso, volto a confessar: eu adorava aquele video game. Controle, peça indispensável.

O tempo passou, a tecnologia evoluiu, ganhei outros interesses e deixei os jogos de lado...mas nunca...nunca abandonei aquela sensação de ser a menina “diferente” do Dynavision. Fui a menina judia do colégio católico. A menina “moleque” que se quebrava inteira brincando e que passava mais tempo com adultos que com crianças. A menina que confiava mais em meninos que em meninas. E sim...fui a garota que pintava o cabelo de cores “absurdas” como a Ramona Flowers do Scott Pilgrim.

 

Lembro disso, ainda sob o efeito do filme visto sexta, no cinema. Esqueça a melhor montagem “que será copiada exaustivamente” dos últimos tempos. Esqueça o texto ágil e as onomatopéias literais. Esqueça a ótima trilha indie, no melhor estilo “Phoebe Buffay”. Esqueça que o “baixo” pode ser o instrumento mais legal de uma banda e que o Michael Cera assinou, de vez, o contrato de simbolo de uma geração..Sabe o que sobra, então? O menino “diferente” do Dynavision...Alguém que já quis ser o “Ferris”, mas que não liga muito em ser comparado ao "Cameron". Alguém que joga querendo acertar, passando por todas as "fases". Alguém que se entrega porque sabe que conseguir "vidas" ou chances, não é pra qualquer um.

O “Scott” em mim, sabe que a adolescência não determina o período de descobertas de uma vida (e olha que a minha já passou, faz algum tempo). Sabe que tirando qualquer estética cult (e incrível!), o que sobra é essência e que ser feliz é acreditar que, apesar dos pesares, novos combos virão. Game on!

Fato: Até o final do ano, compro um video game ( e a trilha do filme e as HQs e o que mais aparecer...). Ok, eu tô empolgada :) 


Scott Pilgrim VS The World in one minute from scott hutcheson on Vimeo.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

“You'd Better Change Your Way Today…”

Se você assistiu “All that Jazz” do Bob Fosse, deve lembrar bem dos cinco estágios da morte. São eles: Negação; Raiva; Barganha; Depressão e Aceitação. Se não viu, sabe como eu, que qualquer relacionamento humano memorável também passa por estas etapas. Sem esquecer que no segundo caso, a “atração” entra na conta e a ordem dos fatores altera e muito o produto.

Poucas coisas são tão reveladoras sobre o nosso comportamento, quanto o aprendizado da entrega e do lidar com o outro. Estar com quem quer que seja é, antes de tudo, um processo de auto-conhecimento. Existem os que impõem, os que se submetem, os que fingem...e há também os que simplesmente esperam, sabotam...e criam expectativas de respostas que jamais serão completamente satisfeitas porque só podem ser dadas por uma pessoa: Você. Um tanto esquizofrênico? É...
“O verdadeiro sentimento amoroso está naquele que consegue amar nos moldes do outro”. Ouvi esta frase há algum tempo, numa palestra sobre cabalá. É daquelas que você escuta, guarda, esquece e quando vê, precisa revisitar porque o contexto de vida mudou e é preciso relativizar as coisas...A frase “diz” que entrar no universo de alguém é saber diferenciar o que é necessidade do que é ego. O que é acertar do querer estar certo. E o que é arriscar ao invés de repetir modelos falidos. Ela ajuda a entender que ninguém pode ser uma equação matemática perfeita e que é justamente nisso que reside o caos e a maravilha de cada "parceria".
Não digo que é fácil. Não é. Para alguém assertiva como eu, exige serenidade quase constante, abnegação franciscana e um Obi-Wan como conselheiro fiel. Mas só em ter isso como meta, sinto minha alma se preencher da ideia de maturidade. Verdade seja dita: Já passei muitas vezes pelos estágios da morte. Cansei. Agora só me importa viver e deixar viver. E ponto. 

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

"Sou Feia, mas Tô na Moda..."

Então...
Então os zumbis são os novos vampiros “fofura” que, por sua vez, chegaram pra substituir os bruxinhos de Hogwarts....

The Walking dead trailer from fais on Vimeo.
Então o twitter chegou pra concorrer com o facebook , que “acabou” com o orkut que não terminou com ninguém porque foi o primeiro a ser tomado por "brasileiros...zumbis".
Então, o “Restart” surgiu depois da “Cine”, que veio na rabeira da “New Wave”, achando que tava reinventado o “Emo”...humm...
Então não foram as séries e a tv por assinatura, que tomaram o lugar das novelas que exterminaram o rádio-teatro...
Então o DVD (e agora, o Blue-Ray) não matou o cinema, que não matou a literatura...
Então a “nova ortografia” enriqueceu alguns, é verdade, mas não impediu que mais e mais pessoas continuassem a "tc do mesmo jeito, já q dá mto trab tc a palavra td... :)" 
Então, não somos “nós” que alimentamos essa substituição feroz por nichos de consumo monetários e ideológicos...
Não somos “nós” que rimos, sem auto-crítica, sendo tão partidários do “agora” quanto um candidato que não queremos no poder.
Ah, e também não somos “nós” os filhos de Macunaíma, tão famintos da fuga da mesmice, tão medrosos do espaço e das reticências, tão esperançosos de uma nova onda "in" que nos impeça de perder tempo...pensando.
Não. Não somos “nós”...
"The Walking Dead" é incrível, mas só existe porque já houve um certo George Romero...mas, talvez isso já não importe mais...
Ser zumbi não é difícil. Complicado é perceber.
E o "discurso" de abertura de "Trainspotting" que não me sai da cabeça, hein?
Então tá, então...

Trainspotting beginning from mariel arnaiz on Vimeo.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

“Those Schoolgirl Days, of Telling Tales and Biting Nails are Gone...”

Durante esta semana, pensei muito num amigo amado e querido que costumava dizer a seguinte máxima: “Não posso parar, porque se eu paro eu penso e se eu penso, eu choro”. Pois é...ele dizia...a gente ria... e eu seguia procurando equilibrar bem os tais tempos de “parada” com os instintos hibernantes à procura de palco e espectador.
Devo dizer que normalmente a “disputa” era desigual e o “racional” costumava vencer. Às vezes com o nome de “maturidade” e “sensatez”, outras como “controle”, “auto-proteção” e “cobrança”.
Há alguns anos atrás, quando as definições importavam mais do que deveriam, esse mesmo amigo dizia não ser possível determinar o que dizem sobre você, que "pintinho na merda não pia" e que “A” felicidade não existe. Ele subvertia o sentido das palavras, subvertendo também minha capacidade de encontrar conforto pra pensar, agir e ser eu mesma.



Nesta semana, comecei também a quinta temporada de Dexter e me dei conta, mais uma vez, do que me faz amar tanto a série. É esse diálogo constante entre o que se é e o que se deveria ser. Dexter não é só o psicopata em busca da próxima vítima. Ele é o ser humano cheio de incertezas, mas consciente do bem e do mal que representa. É o tradutor do “desconforto” que existe em cada um e em todos. É o pensamento em voz alta (viva o inventor do off!) espreitando cada passo como um codificador de emoção.
Dexter adora parar pra pensar. Ele também sabe o que é estar na "merda" e entende que a distância entre felicidade e desespero se chama: momento. Assim como o meu amigo, que nada tem de psicopata (que eu saiba!) e é um pensador dos bons (isso eu sei!), entende que a vida é feita de escolhas e consequências. E que tudo demanda intensidade pra ter a devida relevância. 
SWAY Studio Contributes to New Trailer for Showtime's "Dexter" from Hype Communications on Vimeo.
Eu, por exemplo, "escolhi" voltar do Rio pra Sampa e uma das consequências foi ficar fisicamente “longe” dele e das conversas sobre "Dexter", "Proust" ou a vida em geral. Mas, sem medo de parecer boba, declaro publicamente que guardo bem todas as lições. Ô inveja destes seus alunos novos...Feliz "dia do professor” atrasado, querido “G”!

domingo, 3 de outubro de 2010

"Vai Ficar Legal, Pagode na Cohab, no Maior Astral..."

Em 1999, Tracy Flick, também conhecida como Reese Whiterspoon, lutava com unhas, dentes e nenhum senso de ética, pela presidência do conselho estudantil. O filme era "A Eleição" e, sem medo algum da obviedade, me utilizo dele para falar da tal “festa da democracia” que todos vivemos neste dia 3.
No roteiro de Alexander Payne, Tracy é a aluna exemplar que, sem escrúpulos, tenta exterminar moralmente toda forma de vida que possa atrapalhar sua escalada ao “poder”, principalmente se vier do professor vivido por Mathew Broderick.

Tracy não é só a garotinha linda e ambiciosa concorrendo a um cargo sem importância. Ela é a essência caricaturada de um processo que se diz tão democrático, mas que na verdade, falando em Brasil, se mostra tão charge de si mesmo. Os defeitos, os problemas e as qualidades são mostrados com lentes de aumento em todos os meios mas, infelizmente, só uma parte da população parece realmente (querer) enxergar.
Nada de proclamar a prepotência de quem vê além, não tenho bola de cristal, nem vidência, mas tenho opinião e fico bem triste em ver que a hipocrisia deste populismo "xinfrim" continua e continuará a “roubar” consensualmete tanto da dignidade humana do meu país.
Na celebração da democracia, todos são obrigados a votar. Nesta comemoração da civilidade, muitos estão compromissados com a perpetuação do comodismo. Neste dia de cidade limpa, boca de urna extinta e eleitores sóbrios, a maioria, segundo as pesquisas, vota para presidente, numa mulher que nunca foi eleita para um cargo público, num ex-cantor que deve transformar a data da ata no senado num “dia de princesa” e num “abestalhado” que só vai descobrir o que é ser deputado federal quando sentar na cadeira de um.
Eu sei...isso não deveria me surpreender, mas surpreende porque enquanto alguns ousam chamar isso de voto de protesto, eu chamo de ignorância e desleixo.
Assim como na eleição do filme, na vida real brasileira o que conta mais são valores como aparência, popularidade, demagogia e tiração de sarro com as instituições públicas.
O que a maioria que tem poder eletivo não quer ver, é que neste enredo não é o Tiririca que vai rir da cara da câmara dos deputados. Nesta história, infelizmente, nós é que seremos os palhaços.
O bom do filme é que, independente da ironia do final, ele dura apenas umas duas horas. E na boa, quatro anos é tempo demais.  

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

"Desejo que Você Tenha a Quem Amar, e Quando Estiver Bem Cansado Ainda Exista Amor pra Recomeçar..."

Outro dia, fiz um teste, desses de Facebook, que continha uma pergunta mais ou menos, assim: “Ao comprar um aparelho eletrônico, você lê o manual ou vai logo bisbilhotando pra ver no que dá?”. No geral,racional e precavida que sou, começo pelas instruções, mas a vontade de ver a “coisa” funcionando é tão grande que acabo mesmo tentando descobrir por mim mesma.
Na vida, não faço diferente, mas sei perfeitamente que nela, termos como “devolução” e “garantia” não existem. Pra não “errar”, frequento boas “lojas”, procuro levar pra casa o "melhor" das pessoas, dos caminhos, das sensações...e torço sempre, pra que os “defeitos de fabricação”(Oh Freud!) sejam insuficientes pra que as peças se quebrem de modo a não serem reconstruídas.
O tempo tem me ensinado que essa reconstrução acontece, ainda que à revelia da gente, e que mesmo que o maior técnico do Inmetro inspecione todas as normas de segurança do “brinquedo”, a verdade é que não há como garantir“satisfação” a ninguém.
Isso só reforça o enorme mérito que existe em reconhecer um bom “produto”, um que valha a pena cuidar, que possa ser curtido desde o “pacote” até as peças invisíveis e que, mesmo sem assistência técnica, aceite reparo...e manutenção.  

Quando isso acontece, não pergunto mais se existem manuais... não me importa. Se existem, não foram feitos para serem estudados, mas sim, apreendidos e vividos. Não pergunto pelas leis de consumo, porque não quero saber quem domina quem. Não questiono validade, porque tudo é perfeito do tamanho que é. Quando isso acontece, eu só quero uma coisa: Chegar em casa, abrir delicadamente o embrulho e curtir por algum ou por muito tempo, a chegada do “presente” na despensa. Nada de "compras", por enquanto...   


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"You Can´t Always Get What You Want..."

A “obrigação” e a “necessidade” me fizeram assistir aos últimos episódios da sexta temporada de “House” como um “esquenta” para a próxima fornada, que começa hoje, nos Estados Unidos. “Obrigação feliz e voluntária” devo ressaltar, porque passo a escrever, semanalmente, a respeito da série no blog “sobre tv”. “Necessidade”, porque havia me esquecido que enquanto “todo mundo mente” por lá, as verdades mais explícitas surgem por aqui. “House” é pura pornografia hard core porque escancara o pior do ser humano, doa a quem doer. Do lado de cá, rimos da ironia das situações, nos sentimos cúmplices da inteligência sarcástica, das altas doses de “veneno” destilado e desligamos a tv, como quem brincava de sádico, quando na verdade, estava com a venda.

House não gosta de trabalhar na clínica. E é compreensível. Alí, as feridas são superficiais, os problemas são simples, as cicatrizes não duram. Pessoas assim não precisam ser vasculhadas. Elas estão na sala de espera do limbo resolvendo o que querem ser. E se tem uma coisa que Dr. Greg não sabe é ser paciente. Oops!
House não enxerga pessoas. Enxerga quebra-cabeças. Certo? Errado. Ele vê fatalismo, não condescendência. E manca, porque o próprio tem chagas abertas. E é por isso que gostamos dele. Porque ele não se esquiva de ser amado ou odiado. Porque embora disseque a todos com exageradas lentes de aumento, é capaz de dizer que são os segredos que nos mantém salvos e aquecidos. Porque apesar de trair qualquer um para satisfazer a vaidade, sabe que a confiança não pode ser forçada.
Nosso “Marquês de Sade” adora proclamar a verdade para os outros, mas odeia se encontrar consigo próprio. É tão humano quanto qualquer humano julgado por ele. E quer o que todo mundo quer: “Olhar o abismo e saber que há alguém como você”.
É bom olhar para a TV e saber que esse alguém já existe. Que venha a sétima!

House MD Season 7 Preview #09 [HQ] from Ahmet DERELİ on Vimeo.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

“The Hills are Alive with the Sound of Music…”

Se você não gosta de musicais, não leia esse post. Se acha cafona pensar em Fred Astaire, Gene Kelly, Audrey Hepburn, Julie Andrews ou numa trilha de Elmer Berstein para um filme como "West Side Story", não leia esse post. Não leia porque é uma declaração de amor. E declarações de amor só chegam ao destino quando compartilhadas. 
Não são poucos os que conheço, que têm um sério preconceito contra musicais. Normalmente, pelas mesmas razões pelas quais eu adoro. “Como assim, as pessoas começam a cantar e dançar do nada?” É assim, sim. Aceite! Rs. Não acredito em nada mais diegético que isso. É a possibilidade da aceitação do improvável, feita da maneira mais lúdica que existe.

Na humilde opinião desta que vos escreve, não há homenagem maior ao gênero que “Todos Dizem Eu te Amo”. Woody Allen conseguiu colocar Julia Roberts, Edward Norton e um elenco de primeira, pra cantar standarts da música americana, com arranjos incríveis, locações na Europa e tal, mas com uma afinação tipo...humm...a minha. 
Sinceridade? Seria trágico, se não fosse adorável... 
Enquanto o próprio "destruía" a linda “I´m through with love” com uma voz sofrível, numa “vergonha alheia” sem tamanho, ficava eu, com duas ideias na cabeça:
1.“Taí um cara que não tem medo do ridículo”.
2.”A música é tão bem amarrada, que eu chego a esquecer do absurdo dele, pra pensar no meu”.
Duas preciosas lições de vida. 
Serão essas as razões pra eu adorar essas obras? Quem sabe? Só sei que poucos têm coragem de se expor assim, no dia-a-dia. Não digo que você precise ser fanátivo por Bob Fosse, nem pular numa mesa como o Treat Williams em Hair” ,pra ser alguém verdadeiro. Nada disso. É só uma constatação do que uma obra cinematográfica pode fazer por nós.
Falo por mim quando digo que passei “melhor” pela experiência da perda vendo “All That Jazz”, que me apaixonei, de vez, por Bowie por conta de “Velvet Goldmine" e que descobri algo bem próximo da definição de amor com “Hedwig and The Angry Inch”


Cito alguns, mas são tantos...
Vai ver que eu gosto de musicais, porque são feitos em camadas. Existe a mensagem explícita, existe a brincadeira, e existe o subtexto que universaliza a maioria dos problemas. Gosto de musicais porque eles transformam a tristeza em algo efêmero. Porque subvertem a lógica sem medo. Porque dão leveza ao peso das coisas e se permitem  a uma doce e profunda ingenuidade. Amo,acima de tudo, a possibilidade do infinito: Porque? Pois dentro de um musical, qualquer ser pode absolutamente tudo. E alguém quer outra coisa desta existência? Eu não.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

“Não Quero Lembrar...que Eu Erro Também...”

É bem possível que a cena mais lembrada do filme “Questão de Honra”, seja aquela em que Jack Nicholson, interrogado por Tom Cruise, esbraveja o já clássico: “You can´t handle the truth!” (Você não pode suportar a verdade!”). O filme é “antigo”, mas a reflexão é boa...

A Few Good Men from JL on Vimeo.                                        Parece que na ficção, especialmente a que atinge o grande público, a “verdade” cumpre o papel de catalizadora de emoções cujo objetivo máximo é guiar o espectador rumo a um desfecho plausível. Algo que seja não apenas compreensível, mas também cartesianamente embutido do conceito de que em algum setor da vida, tudo tem resposta. Lindo.
O faz-de-conta é, muitas vezes, tão ordenado, que a transgressão soa desrespeitosa. As novelas, por exemplo, embasam suas tramas em segredos, que fatalmente serão revelados. Um personagem só se redime diante da submissão e da vergonha pública. Sem via - crucis não há salvação.
Em 99% das vezes, estas questões estão ligadas a moral. (Spoiler Alert!) Em “Sex and The City 2”, por exemplo, um beijo sem consequência vira trama, a medida que o egoísmo disfarçado de remorso, veste seu sapato Manolo Blahnick e diz. “Preciso contar. Não posso mentir”. Pode, sim!!!! Algumas vezes, esconder “A” verdade é a mais significativa das provas de amor... 
Na literatura, a história muda... Em “A Insustentável Leveza do Ser”, Tomas ama Teresa, mas quer ser livre. Já ela, apaixonada, vive “feliz” na culpa que ele, supostamente deveria sentir. Em algum lugar, entre estes dois pontos, habita a verdade dos dois. Tão cheia de camadas, tão incoerente, tão explícita e quanto a própria vida. E neste caos, bom ou ruim, consigo enxergar realidade.
  
Não me entendam, mal. Não faço apologia da mentira, nem recomendo. Mas acredito que pais amorosos não precisam “descobrir” que não geraram seus filhos, no leito de morte. “Você tem que saber?”. Não. Não tem!! Acho que honestidade é antes de tudo uma resolução íntima. Exige tanto auto-conhecimento, auto-crueldade e auto-generosidade, que muitos desistem, no meio do caminho, para expiar seus “erros” através da “culpa” alheia ou de um programa de TV...
É pena, mas o que é ficção sempre termina. Depois, somos apenas eu, você e o mundo. Fui!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

"Whatever Tomorrow Brings, I'll Be There..."

Não sei a data ao certo, mas eu devia ser criança quando o cinto de segurança passou a ser obrigatório, no Brasil. Lembro que muita gente reclamava, achava incômodo e tal, mas eu não. Aderi, instantâneamente, sem pensar muito...Não era óbvio?
Usar cinto de segurança nada mais é que um cálculo de dano. Você entra num veículo, sabendo que existe a probabilidade de algo sair errado, mas paga pra ver. Afinal, quais as chances de alguém se machucar usando uma proteção dessas?
Seja como for, sempre procurei usar o meu direitinho. Era como se, de alguma forma, “ele” me oferecesse a dignidade de sair inteira do tombo, consciente de ter feito o possível pra acertar.  E eu tento. Sempre.
Acontece que a vida não avisa o momento do acidente. E, ironicamente, nessas horas, só pra respirar melhor, você solta o cinto e contra todas as estatísticas, confia no motorista. Promete a si mesma que não, mas deixa o dispositivo de lado, porque precisa, de vez em quando, acreditar que pode ser conduzida com o merecido cuidado.
Dizem que a graça é justamente essa: não saber onde, nem quando e simplesmente aproveitar a estrada, esperando que a sorte ajude de vez em quando. Eu só não tenho conseguido rir muito, ultimamente. E agora? Coloco ou não o cinto? A razão comanda, mas lá na frente, quem sabe? Na dúvida, sigo pra ganhar estofo e segurança. 
E tento. Sempre. 


"Drive" -- Incubus from Pixel Farm on Vimeo.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

“O Nerd de Hoje é o Cara Rico de Amanhã..."

Se o Dr. Brown ajustasse novamente o relógio do De Lorean para 2025, é bem possível que encontrasse menininhas se descabelando em delírio coletivo por um autógrafo via “I-Tunes Store” de um tal de Steve Jobs. Duvida? Exageros a parte. Nada mais é que a constatação de um fenômeno estabelecido.
No século passado,o nerd, também denominado geek, gamer ou fandom, consistia no seguinte estereótipo: Pessoa com problemas de comunicação social, vulgo virgem, alheio a moda, criador de hamsters e/ou tartarugas e/ou lagartos, aficcionado por livros, HQs, tecnologia, filmes japoneses e afins, seriados vulcânicamente complexos, coleção de selos e/ou revistas pornôs, trajando cabelos lambidos e/ou óculos fundo de garrafa. O futuro  desenhava-se como uma “batalha apocalíptica”, não? Foi assim até que...
Bem...nada bombástico aconteceu. haha. Sem que ninguém prestasse muita atenção, a não ser o novos magnatas de Wall Street e Hollywood, a "nerdmania" começava sua revanche. 
1. Advento do videoclipe? "Devo" neles! Checked. 
2. Movimento "mostro meus sentimentos" com Smiths ... Emo? NOOT. Checked. 
3. Filmes como "A Vingança dos Nerds" ,"Explorers"...."X-Men"..."Scott Pilgrim". Checked. 
4. Popularização da internet? Checked. Checked. Checked. 
Um pequeno passo para um Nerd. Um grande passo para...a venda de novos produtos. 
Até chegarmos ao Sheldon de “The Big Bang Theory”, muitos bites rolaram...De 90 pra cá, a música viu gente "estranha" como Thom York, Beck e Jack White ganharem o mainstream. Os quadrinhos passaram a render bons blockbusters e os seriados tomaram o lugar das novelas, no imaginário "cool" popular. Tudo isso, agregado ao hype da maçã de Steve Jobs, nos mostra uma coisa: Não foi o nerd que mudou, foi o mercado que assim como fez com o consumidor gay, descobriu outro nicho fiel, disposto a gastar e melhor: Bastante abrangente.
Hoje, vivemos num mundo em que o "Jovem Nerd" ganha prêmio de melhor podcast na MTV, em que Michael Cera é um cara até "pegável", em que a criação do "Facebook" é argumento de filme e o "Weezer" lança álbum com o "Hurley" de "Lost" na capa. Ser nerd, definitivamente, é estar na moda. Passageira? Não, enquanto render. E olha que nerd gasta como poucos. 

Por outro lado, como "representante light da categoria", espero que toda essa "onda" acabe ajudando na propagação de um futuro pensante, evoluído artística, tecnológica e filosóficamente. Até porque se algo estimula alguém a simplesmente aprender e se divertir, a chance de dar m$%$$$% depois, costuma ser menor. Não é não?
Agora, vamos combinar: Vai dizer que não seria muito bom se o Dr. Brown viesse pra 2010, e desse de cara com Biff Tennen Jr numa mega-fila pra comprar um "I-Pad" ou um “Nintendo 3DS”? Melhor ainda se o Biff-pai aparecesse louco de raiva e encontrasse o querido Sheldon pelo caminho. A palavra de ordem pra começar a luta? Bazzzzinga! haha. Isso é que é vingança dos nerds!

BAZZINGA!!! (Pieza Genérica Musical) from Plop Contenidos on Vimeo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

“Help! I Need Somebody. Help! Not Just Anybody..."

Verdade seja dita: Nunca me interessei por livros de auto-ajuda. Fugia do rótulo, como quem foge de uma constatação final e irrevogável sobre si mesmo. A redundância de raciocínio e a ideia do passo-a-passo como método infalível para se “conquistar o sucesso a qualquer preço” me afrontavam em medida semelhante ao galopante volume de vendas desses “produtos”. 

Não me cabe,aqui, diminuir quem se vale deles pra se sentir estimulado diante da vida. Longe disso. Encontro em mim, na verdade, a ironia de quem busca por auto-ajuda todos os dias. Só mudam os meios...
Semana passada, a Fashion TV Brasil começou a exibir a primeira temporada da série “Iconoclastas”, uma pequena obra-prima que o  Sundance Channel exibe desde 2005 e que costuma passar no Brasil, pelo GNT. O formato é “simples”: Dois profissionais de destaque em áreas distintas se encontram para um bate-papo informal sobre suas trajetórias. As “duplas” vão desde Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, pegando onda com o surfista e ativista ambiental Laird Hamilton a Sean Penn e Jon Krakauer: respectivamente diretor e escritor que deram ao mundo: “Na Natureza Selvagem”. Pra se ter uma noção, a “entrevista” acontece durante uma viagem rumo a um certo ônibus abandonado no Alaska...De dar nó na garganta...
 
Ontem assisti a mais um: dessa vez com o produtor Brian Grazer (“Apollo 13”, “Uma Mente Brilhante”, “Forrest Gump”...) e o mega empresário Sumner Redstone (na época, dono do grupo Viacom). Uma das maravilhas dele: “Ao assistir o primeiro “Star Wars”, atravessei a rua e comprei 20% das ações da Twenty Century Fox. Eu sabia que aquilo era algo transcedental”. A frase veio de um homem nascido numa casa que sequer tinha banheiro. “Acredite e enriqueça” bem podia ser o nome do livro.
Ao longo do tempo, percebi que todos os episódios se equalizam por uma coisa: pelo singelo. Conceitos como lealdade, confiança, criatividade, jogo de cintura, otimismo, capacidade de aprender e que tais, passam diante de nossos olhos como uma cartilha “não intencional” a ser seguida.  
Ok, ok...o texto está longo, sei bem, e assim como não quero ser imposta a prateleira “Lair Ribeiro”, longe de mim obrigar alguém a assistir algo que não quer. Quem precisa de auto-ajuda, não é mesmo? Termino com outra frase do Sr. Redstone: “Dificuldades todos têm. O que muda é a forma como você responde a elas...quando morrer quero ser lembrado como uma pessoa que foi mais amada que odiada”. Eu também. Vai um Deepak Chopra, aí?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

"Aaaaaaaatirei o Pau no Gato-to-to..."

Nos últimos tempos tenho prestado atenção ao riso de um modo curioso. Cada um tem um estilo de humor, é verdade. Há os que riem de um tropeção na calçada, outros de um governo mais interessado na copa 2014, que na cozinha 2010. Há os que gargalhem das piadas de um Chaves (do Hugo, também) ou mesmo do inabalável cinismo do Dr.House.

É engraçado perceber, que numa era de tantos cuidados com o futuro do planeta, a biodiversidade e suas sacolas retornáveis, ainda persista uma falsa preocupação no que diz respeito a moral institucionalizada. Tomo como exemplos os inúmeros comerciais de fraudas com elenco reduzido a cotas, o universo gay tratado de forma asséptica ou o fato da escalação da primeira protagonista negra do horário das oito ter chamado mais atenção que a trama em si.
É o “politicamente correto” da convivência pacífica. Uma boa forma de educar, muitos dizem, mas eu, que nem educadora sou, acredito que destacar a inserção do diferente só torna algo mais...diferente. Dizem que o tempo vai ajudar. Que em breve, todos se aceitarão como “iguais” e que essa “catequisação” forçada de valores não será mais necessária. Sei...
Não quero defender o riso a qualquer custo, doa a quem doer. Quem já assistiu a filmes do Kevin Smith, conhece sua metáfora recorrente sobre o racismo representado pelo lado negro da força em “Star Wars”. A mulher que vê “Polyester” do John Waters, consegue se identificar com sua protagonista interpretada por um travesti e sim, você pode rir, sem culpa, das maldades de Sue Silvester em Glee, mesmo sabendo que ela tem uma biografia chamada “I´m a winner and you are fat”.   
Confesso, que não acho “Ratinho” divertido, não gosto de videocassetada e não assisto “Pânico”. Não porque me sobre requinte, mas porque assim como as liberdades precisam ser respeitadas, acredito que a capacidade de discernimento também. Talvez seja isso, que precise ser realmente institucionalizado. 

Agora, se nem isso adiantar...Let´s "kick some Assssesssss!!" 

domingo, 18 de julho de 2010

"Minuciosa Formiga/ Não Tem que se lhe Diga/Leva a sua Palhinha/ Asinha, Asinha..."

As formigas são conhecidas pela forma como se organizam em sociedade. São bem estruturadas, sabem se posicionar em grupo e seguem sua lider com mais lealdade que muitos followers do twitter.
Já vi muita gente comparar a sociedade “formigalêsca” a nossa. Como poderíamos aprender com elas, como são leais e úteis ao meio-ambiente e como se sacrificam nos “infântincêndios”, sem direito a defesa.
Em “Bon Temps”, decerto existem formigas, e lá também há uma clara metáfora sobre o ser humano. Na cidade, onde vivem os personagens de “True Blood”, vampiros, garçonetes, metamorfos,e outros bichos nos mostram o tempo todo que por trás de sua “estética trash-cult-porn”, se esconde a afirmação de tudo o que normalmente negamos e de tudo o que não conseguimos camuflar. Distante do ideal que se espera daquele mundo de insetos? Nem tanto.
Quando atacadas, as formigas se defendem picando o agressor. As mais famintas acariciam a antena alheia pra conseguir o que interessa e costumam ainda, engolir apenas a parte líquida do alimento. Lembra alguém?
Allan Ball, o produtor da série, conhece formigas, mas conhece mais ainda o ser humano. Sabe que ele é movido a desejo e que guarda na suposta ordenação diária, seu pedaço de caos. Sabe também, que quebrar essa constância “enfileirada”, é encarar a diferença entre morrer em vida ou vivê-la eternamente.
Moral da história? Por mais que sejamos distintos, mitificados ou brutalmente reais, somos extremamente semelhantes no quesito que mais importa: A aceitação das espécies. Essa constatação, por si só, já deveria fazer com que olhássemos com mais tolerância não só para as sociedades de formigas, vampiros, “viajantes na maionese”(oops)... mas principalmente, para o outro como reflexo de nós mesmos. Ai, ai...Deve ter groselha nessa bebida...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

"Da Primeira Vez Era a Cidade...Da Segunda o Cais a Eternidade..."

Por cerca de dez anos morei no Rio de Janeiro. Ao sair, deixei um apartamento mobiliado intacto e impregnado de mim mesma. Ao organizar a mudança, encaixotei também meus objetos pessoais pensando que afinal, tudo podia ser reconstruído, desde que a sua coleção de livros, cds, dvds e hum...brinquedos estivessem com você.
Não era verdade. Não inteiramente.
Enquanto hoje, só se fala em “Toy Story 3”, acabo de ver “Up - Altas Aventuras”. Clássico que por algum lapso sem noção, havia se perdido na minha interminável lista dos “tem que ver”. 
No filme, um senhor de 78 anos sai em busca da maior aventura “não vivida” por ele e sua esposa. Carrega literalmente, uma casa de lembranças pelo caminho. Do alto da subjetividade, lembrei das minhas, claro. De ver o caminhão chegando em São Paulo com minhas coisas: as mesmas que mesmo aumentando aqui e ali, me acompanharam vida afora, por cada endereço. Deixei a casa, é verdade, mas não a necessidade de simbolizar os sentimentos por vias semelhantes. Como ele, precisei sair da “zona de conforto” pra ver que não são os objetos que nos carregam, mas sim a soma dos “momentos de tédio” compartilhados. Coisas como a revista comprada na banca de sempre, um caminhar de mãos dadas, uma vida surgindo ou mesmo a luz na janela que “pinta” um novo “Pão de açucar” a cada manhã. 
Assim como o velhinho de “Up”, vi que as mudanças mais significativas acontecem de dentro pra fora, que as pessoas são o que há de melhor pra se levar na bagagem e que o cotidiano é, no fim das contas, a maior e mais imprevisível aventura. 
Obrigada Pixar. 

sábado, 12 de junho de 2010

“When the Night Has Come and the Land is Dark…”

É fato que desde sempre os homens têm se organizado em bandos. 
Até aí, novidade nenhuma. A questão, desde minha última madrugada, assistindo a “Entourage” e "Mad Men", tem mais a ver com os “comos” e os “porquês”. Aceitação, interesses comuns, discursos parecidos, estresses compartilhados. É pode ser...mas envolve também a busca pela identidade, por uma voz, pelo nobre instinto de preservação das memórias e pelas não menos nobres “tirações de sarro”, partes integrantes da memorabília dos “micos” nossos de cada dia. É possível, ainda, que tudo diga respeito a uma única coisa : a sensação de pertencer.
As relações, sejam de coleguismo, amizade, vizinhança e mesmo as amorosas (que dia é hoje mesmo?) passam por esse sentimento. Pela necessidade de que alguém (s) não só testemunhe, como seja afetado pela nossa existência. “A felicidade não se compra” diz alguma coisa?
Assistindo a “Entourage” e “Mad Men”, lembrei do meu próprio “Rat Pack”. Das noites de telefonemas sem fim, dos cafés pós trabalho, dos segredos...(quê?), dos momentos “sem-noção” e no “conta comigo” implícito em cada “tudo bem?”. Pensei nos relacionamentos, com dois ou mais integrantes, e na necessidade de compartilhar para sobreviver. Quer saber? Prefiro, por hora, deixar os “comos” e “porquês” de lado. Prefiro esquecer que Don Draper praticamente "inventou" o modo como as pessoas se relacionam com o mundo. Prefiro ficar com a simples conclusão de que tudo isso talvez tenha a ver com o bom e velho “ser amado no matter what”. Alguém duvida? Ari Gold não vale. 



sábado, 5 de junho de 2010

“Tempo, tempo, tempo, mano velho...”

Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante, eu não twittava, não ouvia podcast, nem baixava séries no computador...Eram tempos de objetivos pragmáticos e plausíveis: Aprender a dirigir, ter uma locadora de VHS, casar com o Harrison Ford e ser astronauta geofísica.
Enquanto não era logísticamente viável, crescia eu pintando as paredes de casa, montando meus quebra-cabeças, escalando montanhas de sacarias nos fundos de uma fábrica têxtil e tomando o conteúdo de todas as mini-garrafinhas de Coca-Cola que existissem por perto. 
Tudo aconteceu quando Cazuza e Renato Russo ainda andavam por aí...Quando ver “Star Wars” e “Indiana Jones” na sessão da tarde não era “guilty pleasure” e quando “geek” era conhecido como “nerd” mesmo. Aconteceu quando tudo era possível, porque o tempo corria lento e toda enquete que perguntasse “que idade você gostaria de ter?”, conteria, com raríssimas exceções, a inevitável resposta: Adulto.
Eu era excessão. Sempre fui feliz com o tempo que me cabia.
Hoje penso nisso, sabendo que sou  eu quem vive para caber nele e que desde sempre, cada minuto importa. Deve ser essa a razão que me fez fixar moradia, como muitos, nessa aparente simultâneidade de tudo. "Twitto" para não pintar as paredes, "facebooko" e "skypo" para manter os amigos por perto. "Downloado" pra fazer minha sessão da tarde “passar” a meia noite, e corro atrás de cada segundo, não pela nostalgia de minhas “quase-memórias”, mas para encontrar na web, na rua da frente, ou na cozinha aqui de casa, pessoas que compartilhem seus momentos com a consciência de graça e unidade que só a passagem do tempo concede a todos nós. Tic-tac-tic-tac.

Em tempo:
a)   1. Nunca tirei carteira de motorista. Ia ler quando?
b)   2. O mais próximo que tenho de uma locadora de VHS, é a estante de DVDs.
c)   3. Harrison Ford? Bem...digamos que eu tenha me atualizado. 
 4    4. Astronauta? Tenho vertigem de altura. hhaha

No fim das contas, acabei mesmo numa faculdade de cinema, o que excetuando alguns detalhes técnicos, é mais ou menos a soma dessas alternativas. Não é não? 
Ok, não responda.  


sábado, 29 de maio de 2010

"Make Your Own Kind of Music..."

Começo com uma confissão: Jack Shephard nunca foi, nem de longe, meu personagem favorito em Lost. Desmond, Saywer, Ben e Locke corriam milhas a frente como (in) certezas diante de tudo. Foram necessários anos de encontros e desencontros para que no fim, com os olhos fechados, várias verdades veladas se confirmassem com a simplicidade e a paz que só as constatações mais íntimas conseguem.
Em 2004, Jack embarcava no Oceanic 815, levando o corpo do pai. No mesmo ano, em fevereiro, entrava eu num carro funerário levando o corpo do meu. Não havia flashbacks, monstro de fumaça ou ursos polares, havia sim, uma missão e certamente, destroços disfarçados de calma e aceitação.


Nas temporadas seguintes, enquanto “eles”... meus “outros” aprendiam sobre sacrifício e redenção, corria eu em busca de uma nova constante. Enquanto Jack tentava salvar um mundo sobre o qual não havia controle, seguia eu a responsabilidade, aceita desde cedo, de cuidar racional e sensatamente do meu.
E assim foi: Parti, amei, voltei, ri, perdi, mudei e permaneci. Como um náufrago, que se agarra ao bote, e procura pelo resgate do que ficou e do que ainda está por vir.
E eis que chega 2010. Na mesma semana do finale, tal qual a colisão de coincidências dos “bad numbers”, presencio a exumação dos ossos do meu avô. Episódio tão revelador da condição humana que me recuso a acreditar na total ausência de destino.No encontro do meu flashsideway com o de Jack, vejo vida, morte e certamente: renascimento. Olho no espelho e entendo parte da princípio. Porque em se tratando de Lost ou da própria vida, um fim é só o começo. E eu espero estar apenas recomeçando. 
See you in another post, brotha!