segunda-feira, 23 de agosto de 2010

"Whatever Tomorrow Brings, I'll Be There..."

Não sei a data ao certo, mas eu devia ser criança quando o cinto de segurança passou a ser obrigatório, no Brasil. Lembro que muita gente reclamava, achava incômodo e tal, mas eu não. Aderi, instantâneamente, sem pensar muito...Não era óbvio?
Usar cinto de segurança nada mais é que um cálculo de dano. Você entra num veículo, sabendo que existe a probabilidade de algo sair errado, mas paga pra ver. Afinal, quais as chances de alguém se machucar usando uma proteção dessas?
Seja como for, sempre procurei usar o meu direitinho. Era como se, de alguma forma, “ele” me oferecesse a dignidade de sair inteira do tombo, consciente de ter feito o possível pra acertar.  E eu tento. Sempre.
Acontece que a vida não avisa o momento do acidente. E, ironicamente, nessas horas, só pra respirar melhor, você solta o cinto e contra todas as estatísticas, confia no motorista. Promete a si mesma que não, mas deixa o dispositivo de lado, porque precisa, de vez em quando, acreditar que pode ser conduzida com o merecido cuidado.
Dizem que a graça é justamente essa: não saber onde, nem quando e simplesmente aproveitar a estrada, esperando que a sorte ajude de vez em quando. Eu só não tenho conseguido rir muito, ultimamente. E agora? Coloco ou não o cinto? A razão comanda, mas lá na frente, quem sabe? Na dúvida, sigo pra ganhar estofo e segurança. 
E tento. Sempre. 


"Drive" -- Incubus from Pixel Farm on Vimeo.

Um comentário:

  1. Nada como soltar o cinto e respirar um pouco.
    Belíssimo texto Dodo.
    bjs

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