Mostrando postagens com marcador Vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vida. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de novembro de 2010

“You'd Better Change Your Way Today…”

Se você assistiu “All that Jazz” do Bob Fosse, deve lembrar bem dos cinco estágios da morte. São eles: Negação; Raiva; Barganha; Depressão e Aceitação. Se não viu, sabe como eu, que qualquer relacionamento humano memorável também passa por estas etapas. Sem esquecer que no segundo caso, a “atração” entra na conta e a ordem dos fatores altera e muito o produto.

Poucas coisas são tão reveladoras sobre o nosso comportamento, quanto o aprendizado da entrega e do lidar com o outro. Estar com quem quer que seja é, antes de tudo, um processo de auto-conhecimento. Existem os que impõem, os que se submetem, os que fingem...e há também os que simplesmente esperam, sabotam...e criam expectativas de respostas que jamais serão completamente satisfeitas porque só podem ser dadas por uma pessoa: Você. Um tanto esquizofrênico? É...
“O verdadeiro sentimento amoroso está naquele que consegue amar nos moldes do outro”. Ouvi esta frase há algum tempo, numa palestra sobre cabalá. É daquelas que você escuta, guarda, esquece e quando vê, precisa revisitar porque o contexto de vida mudou e é preciso relativizar as coisas...A frase “diz” que entrar no universo de alguém é saber diferenciar o que é necessidade do que é ego. O que é acertar do querer estar certo. E o que é arriscar ao invés de repetir modelos falidos. Ela ajuda a entender que ninguém pode ser uma equação matemática perfeita e que é justamente nisso que reside o caos e a maravilha de cada "parceria".
Não digo que é fácil. Não é. Para alguém assertiva como eu, exige serenidade quase constante, abnegação franciscana e um Obi-Wan como conselheiro fiel. Mas só em ter isso como meta, sinto minha alma se preencher da ideia de maturidade. Verdade seja dita: Já passei muitas vezes pelos estágios da morte. Cansei. Agora só me importa viver e deixar viver. E ponto. 

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

"Sou Feia, mas Tô na Moda..."

Então...
Então os zumbis são os novos vampiros “fofura” que, por sua vez, chegaram pra substituir os bruxinhos de Hogwarts....

The Walking dead trailer from fais on Vimeo.
Então o twitter chegou pra concorrer com o facebook , que “acabou” com o orkut que não terminou com ninguém porque foi o primeiro a ser tomado por "brasileiros...zumbis".
Então, o “Restart” surgiu depois da “Cine”, que veio na rabeira da “New Wave”, achando que tava reinventado o “Emo”...humm...
Então não foram as séries e a tv por assinatura, que tomaram o lugar das novelas que exterminaram o rádio-teatro...
Então o DVD (e agora, o Blue-Ray) não matou o cinema, que não matou a literatura...
Então a “nova ortografia” enriqueceu alguns, é verdade, mas não impediu que mais e mais pessoas continuassem a "tc do mesmo jeito, já q dá mto trab tc a palavra td... :)" 
Então, não somos “nós” que alimentamos essa substituição feroz por nichos de consumo monetários e ideológicos...
Não somos “nós” que rimos, sem auto-crítica, sendo tão partidários do “agora” quanto um candidato que não queremos no poder.
Ah, e também não somos “nós” os filhos de Macunaíma, tão famintos da fuga da mesmice, tão medrosos do espaço e das reticências, tão esperançosos de uma nova onda "in" que nos impeça de perder tempo...pensando.
Não. Não somos “nós”...
"The Walking Dead" é incrível, mas só existe porque já houve um certo George Romero...mas, talvez isso já não importe mais...
Ser zumbi não é difícil. Complicado é perceber.
E o "discurso" de abertura de "Trainspotting" que não me sai da cabeça, hein?
Então tá, então...

Trainspotting beginning from mariel arnaiz on Vimeo.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

"Desejo que Você Tenha a Quem Amar, e Quando Estiver Bem Cansado Ainda Exista Amor pra Recomeçar..."

Outro dia, fiz um teste, desses de Facebook, que continha uma pergunta mais ou menos, assim: “Ao comprar um aparelho eletrônico, você lê o manual ou vai logo bisbilhotando pra ver no que dá?”. No geral,racional e precavida que sou, começo pelas instruções, mas a vontade de ver a “coisa” funcionando é tão grande que acabo mesmo tentando descobrir por mim mesma.
Na vida, não faço diferente, mas sei perfeitamente que nela, termos como “devolução” e “garantia” não existem. Pra não “errar”, frequento boas “lojas”, procuro levar pra casa o "melhor" das pessoas, dos caminhos, das sensações...e torço sempre, pra que os “defeitos de fabricação”(Oh Freud!) sejam insuficientes pra que as peças se quebrem de modo a não serem reconstruídas.
O tempo tem me ensinado que essa reconstrução acontece, ainda que à revelia da gente, e que mesmo que o maior técnico do Inmetro inspecione todas as normas de segurança do “brinquedo”, a verdade é que não há como garantir“satisfação” a ninguém.
Isso só reforça o enorme mérito que existe em reconhecer um bom “produto”, um que valha a pena cuidar, que possa ser curtido desde o “pacote” até as peças invisíveis e que, mesmo sem assistência técnica, aceite reparo...e manutenção.  

Quando isso acontece, não pergunto mais se existem manuais... não me importa. Se existem, não foram feitos para serem estudados, mas sim, apreendidos e vividos. Não pergunto pelas leis de consumo, porque não quero saber quem domina quem. Não questiono validade, porque tudo é perfeito do tamanho que é. Quando isso acontece, eu só quero uma coisa: Chegar em casa, abrir delicadamente o embrulho e curtir por algum ou por muito tempo, a chegada do “presente” na despensa. Nada de "compras", por enquanto...   


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

"Whatever Tomorrow Brings, I'll Be There..."

Não sei a data ao certo, mas eu devia ser criança quando o cinto de segurança passou a ser obrigatório, no Brasil. Lembro que muita gente reclamava, achava incômodo e tal, mas eu não. Aderi, instantâneamente, sem pensar muito...Não era óbvio?
Usar cinto de segurança nada mais é que um cálculo de dano. Você entra num veículo, sabendo que existe a probabilidade de algo sair errado, mas paga pra ver. Afinal, quais as chances de alguém se machucar usando uma proteção dessas?
Seja como for, sempre procurei usar o meu direitinho. Era como se, de alguma forma, “ele” me oferecesse a dignidade de sair inteira do tombo, consciente de ter feito o possível pra acertar.  E eu tento. Sempre.
Acontece que a vida não avisa o momento do acidente. E, ironicamente, nessas horas, só pra respirar melhor, você solta o cinto e contra todas as estatísticas, confia no motorista. Promete a si mesma que não, mas deixa o dispositivo de lado, porque precisa, de vez em quando, acreditar que pode ser conduzida com o merecido cuidado.
Dizem que a graça é justamente essa: não saber onde, nem quando e simplesmente aproveitar a estrada, esperando que a sorte ajude de vez em quando. Eu só não tenho conseguido rir muito, ultimamente. E agora? Coloco ou não o cinto? A razão comanda, mas lá na frente, quem sabe? Na dúvida, sigo pra ganhar estofo e segurança. 
E tento. Sempre. 


"Drive" -- Incubus from Pixel Farm on Vimeo.

domingo, 18 de julho de 2010

"Minuciosa Formiga/ Não Tem que se lhe Diga/Leva a sua Palhinha/ Asinha, Asinha..."

As formigas são conhecidas pela forma como se organizam em sociedade. São bem estruturadas, sabem se posicionar em grupo e seguem sua lider com mais lealdade que muitos followers do twitter.
Já vi muita gente comparar a sociedade “formigalêsca” a nossa. Como poderíamos aprender com elas, como são leais e úteis ao meio-ambiente e como se sacrificam nos “infântincêndios”, sem direito a defesa.
Em “Bon Temps”, decerto existem formigas, e lá também há uma clara metáfora sobre o ser humano. Na cidade, onde vivem os personagens de “True Blood”, vampiros, garçonetes, metamorfos,e outros bichos nos mostram o tempo todo que por trás de sua “estética trash-cult-porn”, se esconde a afirmação de tudo o que normalmente negamos e de tudo o que não conseguimos camuflar. Distante do ideal que se espera daquele mundo de insetos? Nem tanto.
Quando atacadas, as formigas se defendem picando o agressor. As mais famintas acariciam a antena alheia pra conseguir o que interessa e costumam ainda, engolir apenas a parte líquida do alimento. Lembra alguém?
Allan Ball, o produtor da série, conhece formigas, mas conhece mais ainda o ser humano. Sabe que ele é movido a desejo e que guarda na suposta ordenação diária, seu pedaço de caos. Sabe também, que quebrar essa constância “enfileirada”, é encarar a diferença entre morrer em vida ou vivê-la eternamente.
Moral da história? Por mais que sejamos distintos, mitificados ou brutalmente reais, somos extremamente semelhantes no quesito que mais importa: A aceitação das espécies. Essa constatação, por si só, já deveria fazer com que olhássemos com mais tolerância não só para as sociedades de formigas, vampiros, “viajantes na maionese”(oops)... mas principalmente, para o outro como reflexo de nós mesmos. Ai, ai...Deve ter groselha nessa bebida...

sábado, 12 de junho de 2010

“When the Night Has Come and the Land is Dark…”

É fato que desde sempre os homens têm se organizado em bandos. 
Até aí, novidade nenhuma. A questão, desde minha última madrugada, assistindo a “Entourage” e "Mad Men", tem mais a ver com os “comos” e os “porquês”. Aceitação, interesses comuns, discursos parecidos, estresses compartilhados. É pode ser...mas envolve também a busca pela identidade, por uma voz, pelo nobre instinto de preservação das memórias e pelas não menos nobres “tirações de sarro”, partes integrantes da memorabília dos “micos” nossos de cada dia. É possível, ainda, que tudo diga respeito a uma única coisa : a sensação de pertencer.
As relações, sejam de coleguismo, amizade, vizinhança e mesmo as amorosas (que dia é hoje mesmo?) passam por esse sentimento. Pela necessidade de que alguém (s) não só testemunhe, como seja afetado pela nossa existência. “A felicidade não se compra” diz alguma coisa?
Assistindo a “Entourage” e “Mad Men”, lembrei do meu próprio “Rat Pack”. Das noites de telefonemas sem fim, dos cafés pós trabalho, dos segredos...(quê?), dos momentos “sem-noção” e no “conta comigo” implícito em cada “tudo bem?”. Pensei nos relacionamentos, com dois ou mais integrantes, e na necessidade de compartilhar para sobreviver. Quer saber? Prefiro, por hora, deixar os “comos” e “porquês” de lado. Prefiro esquecer que Don Draper praticamente "inventou" o modo como as pessoas se relacionam com o mundo. Prefiro ficar com a simples conclusão de que tudo isso talvez tenha a ver com o bom e velho “ser amado no matter what”. Alguém duvida? Ari Gold não vale. 



sábado, 29 de maio de 2010

"Make Your Own Kind of Music..."

Começo com uma confissão: Jack Shephard nunca foi, nem de longe, meu personagem favorito em Lost. Desmond, Saywer, Ben e Locke corriam milhas a frente como (in) certezas diante de tudo. Foram necessários anos de encontros e desencontros para que no fim, com os olhos fechados, várias verdades veladas se confirmassem com a simplicidade e a paz que só as constatações mais íntimas conseguem.
Em 2004, Jack embarcava no Oceanic 815, levando o corpo do pai. No mesmo ano, em fevereiro, entrava eu num carro funerário levando o corpo do meu. Não havia flashbacks, monstro de fumaça ou ursos polares, havia sim, uma missão e certamente, destroços disfarçados de calma e aceitação.


Nas temporadas seguintes, enquanto “eles”... meus “outros” aprendiam sobre sacrifício e redenção, corria eu em busca de uma nova constante. Enquanto Jack tentava salvar um mundo sobre o qual não havia controle, seguia eu a responsabilidade, aceita desde cedo, de cuidar racional e sensatamente do meu.
E assim foi: Parti, amei, voltei, ri, perdi, mudei e permaneci. Como um náufrago, que se agarra ao bote, e procura pelo resgate do que ficou e do que ainda está por vir.
E eis que chega 2010. Na mesma semana do finale, tal qual a colisão de coincidências dos “bad numbers”, presencio a exumação dos ossos do meu avô. Episódio tão revelador da condição humana que me recuso a acreditar na total ausência de destino.No encontro do meu flashsideway com o de Jack, vejo vida, morte e certamente: renascimento. Olho no espelho e entendo parte da princípio. Porque em se tratando de Lost ou da própria vida, um fim é só o começo. E eu espero estar apenas recomeçando. 
See you in another post, brotha!